quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Cochicho

Fazia tempo que a insônia não me furtava de mergulhar profundamente no inconsciente sonho de toda madrugada. Sei não como pude esquecer assim de modo tão fácil como era não dormir, mesmo quando se deseja, mesmo quando o corpo pede, mesmo quando nada parece te roubar o tédio de não conseguir se concentrar em nada.

A melhor coisa da madrugada que se passa vagarosamente na Mooca é o barulhinho do silêncio lá de fora. Casinhas antigas inteiramente inertes diante da paisagem urbana que se transforma cochicham histórias antigas sobre os terrenos preparados para os novos condomínios que vão anular o contra luz de quem olha para o alto em dia de sol.

Luzes acesas que deveriam se apagar. Janelas abertas que denunciam a tranquilidade ou a ingenuidade fortuita dos moradores do bairro sereno que abriga sotaques das terras além mar...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Água salgada

Eu agora entendo que o caminho que percorri fez um bem tremendo pros olhos que minha cabeça acolhe e se deixa impressionar com as imagens fotografadas.

Mas pra alma terá sido um bom feito se afastar da grande fonte que a alimenta?

Sonhei com o mar esta noite.

Acordei em um porto onde gaivotas cantavam músicas que fiz, mas nunca toquei ou mostrei a mim mesmo ou qualquer outro ser...

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Ojos de Brujo


Já posso me ir!
Assisti a um concerto de Ojos de Brujo nesta sexta!
Experiência das mais avassaladoras de mi vida!

Asta!!!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Profissão de bostas?

Jornalismo é oposição! O resto é armazém de secos e molhados!
Millor Fernandes

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Meu coração parece cantou

Enfrentei mais de 36 horas de onibus e carro cruzando a paisagem do Sul ao fazer uma tour com minha banda.
Durante todo o trajeto meu coração parecia cantar o poema que desconheço o autor, pois conheço a versão musicada por Caetano e gravada pela atual minha maior diva da música (Bethania). Eu continuo-estou apaixonado. Ansioso pelo retorno ao mar do Ceará, ao pezin de caju que lá está florido, carregado de doce sabor e tinta travestida de nódoa.



Ciclo

Passa o tempo
E a vida passa
E eu
De alma ingênua
Acredito
No sonho doce infinito
Plenitude
Enlevo e graça

Que sem tortura ou revolta
Estou cantando ao luar
Vamos dar a meia-volta
Volta e meia
Vamos dar

Depois a estrada poeirenta
Os pés sangrando em pedrouços
E apaziguando alvoroços
A alma intranquila e sedenta
Murchessem todas as flores
A correnteza das horas
As trevas sobre as auroras
Os derradeiros amores

Recordo o passado inteiro
E as voltas
Que o mundo dá
Meu limão
Meu limoeiro
Meu pé de jacarandá
E aquele ao léu do destino
Que inspirou tanto louvor
Cajueiro pequenino
Carregadinho de flor

Passa o tempo
E eu fico mudo
Ontem ainda a ciranda
Vida à toa
A trova branda
Agora envolvendo tudo

O vale nativo
Os combros
Várzea
Montanha
Leveza
Essa poeira de escombros
De que se nutre
A tristeza

Velho
Recordo o menino
Que resta de mim
Sei lá
Cajueiro pequenino
Meu pé de jacarandá

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O Gato Onofre.

Tulululu pra parah!

O celular toca os primeiros acordes de uma música pop britânica. O volume não tá alto nem baixo, mas o silêncio na casa... o vazio dos espaços da casa, permitem uma acústica perfeita para que o som fique estridente.

Alguém atende.

-Alô!

É uma voz feminina... de moça.

-A gente vai fazer pipoca e depois passear pela praia. Vc não vem? Te mandei scrap. Não viu?

Faz silêncio na casa. Ela respira. Parece mexer nas sacolas que meti minha fuça ontem. Ela é hóspede da minha Majestade. Majestade é minha dona desde que eu escorreguei na escada que leva a rua Pixinguinha. Um cara me chutou e eu caí. Daí me veio aquele anjo com pernas perfumadas, luvas plásticas amarelas e botas vermelhas de jardineira pra curar as feridas e guardar minha dormida...

Rompe o silêncio outra vez:

-Tá. Tá bom! Eu vou trocar de roupa pra esperar ela chegar.
Ai nem te conto de ontem... foi tão bom! Eu queimei o dedo... mas tudo bem! Descobri a medida certa pra receita de berinjela da Dona Lina... mas deixa pra depois. beju.

Ela agora volta ao silêncio e faz carinho nas fotos espalhadas pelo quarto. Não sei se ela é boa amiga pra Majestade, mas pode ser bom uma companhia agora que "macherie" não tem Jorge Penetra pra namorar e brincar de circo. Eu me sinto bem sendo o único com testículos e hormônios que amenizam o humor das fêmeas vagando e divagando pensamentos felinos e inteligentes pela casa. Mas poderia ser melhor... Bem que podia ter lixeira da cozinha aberta todos os dias... assim eu abria mão da tigela de leite quente três vezes por semana. Leite é bom, mas engorda e me dá preguiça. Quando tomo, nem me apercebo e já estou deitado no sofá sonhando que sou um gato pássaro que sobrevoa o jardim projetado por um renomado paisagista. Dia desses eu vi um cão lá no jardim. Cães são estranhos. Não precisam de areia e seus donos é que se rebaixam para fazer a higiene e não deixar rastros...

Mas deixa eu voltar pra minha observação da nova hóspede...

A moça caminha até o banheiro. Abriu a torneira da banheira tirou o jeans, pelo som do elástico a estalar na pele, sacou também a lingerie. O sabonete líquido é o mesmo de majestade. Moveu o daio, ligou o rádio e agora estala os pés na água. Ah humanos! Doces deleites com coisas tão pequenas e estranhas! Água no corpo, música repetitiva e uma tarde inteira mexendo os membros e gastando energia.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Mark Rothko


Seriam essas minhas linhas imaginárias que perdi em algum lugar?
Vai saber?
Insônia e solidão debaixo de um céu cinza e sem vinho...