sexta-feira, 2 de maio de 2008

Enquanto garoa em Sampa no sertão sereneia


Nem quis abrir o guarda chuva azul comprado outro dia na av. paulista por R$ 8,00. Aquelas gotinhas, mesmo recheadas pela poluição da cidade deveriam cair sobre mim. Minha camisa branca de listras verdes e manga longa ficou levemente molhada, mas ainda cheirava a amaciante. Fui caminhando, caminhando, caminhando. O mundo passando... um menino descalço de um pé - um tênias virou travesseiro enquanto a criança dormia na calçada e outro acolhia o pé esquerdo; uma fila de carros; uma moça com as pernas de louça que me remetia a uma *canção de chico me olha e sorri; um carrinho de pipoca atravessando a Pedro de Toledo na faixa de pedestre; Vou ouvindo uma canção gravada por Ney Matogrosso e Pedro Luis e a Parede enquanto o céu vai se abrindo.

Eu me deparo com muitas cidades e muitos países em uma só megalópole. Dá vontade de viver a vida na rua só pra não perder um só instante de inspiração, uma só imagem que passa pela calçada, uma só cena que avoa com uma rajada de vento ou se esconde nas entrelinhas que a dinâmica da vida aqui nos impõe.
Dá vontade de ter o poder que os fiéis crêem possuir seus deuses... Estar em todos os lugares ao mesmo tempo... Só pra poder alimentar esse meu estômago imagético e ter no que ficar esmiuçando na madrugada insône enquanto o sono não me toma os pensamentos frouxos, as ânsias vorazes, ternas, perfeitas e incompletas... Sou um romântico, um ingênuo, um quase cidadão paulistano... E enxergo o mundo que nunca deixa de me encantar e instigar a reflexão.

Um comentário:

coletivo de fotografia disse...

Lindo, Jan! És um poeta.
C.