quarta-feira, 21 de maio de 2008

Um café na madrugada

É quase natural.
Talvez, sabe lá não é instinto de boêmio apaziguado no mergulho sobre as responsabilidades assumidas recentemente...
Minha bandeira deflagrada
Meu barquinho de vela anseia um encontro... tantos outros que poderiam prolongar a sensação de calafrio no estômago.
O par de olhos encarando os meus enquanto verborrágico testo minha retórica sem me dar conta. Estraguei uma parte do meu trompete e hoje, mais uma vez, fiz minha principal refeição rodeado de famintos. Homens, mulheres, moradores de rua, cidadãos mais politizados que o homem de terno que acredita ser honesto e exemplo, pois venceu (ipe ipe urras por isso!!!), paga impostos e não picha o muro, não joga lixo no chão e faz valer o esforço dos heróis de nossa história, conforme menciona a linda propaganda que os canais de tv apresentam em cada casa, cada barraco, boteco, padoca e sala de espera...
Engraçado... quantos de nós imagina ser um bem a essa sociedade-cidade-caroço de azeitona esburacado e desforme? A esse caos legitimado que é tão belo e escapelado que consegue manter tantas mentes em cativeiro. Nem sei mais o que é melhor. Entre as pilulas coloridas que Morpheus um dia me ofereceu eu escolhi a cor errada... será que tive opção?
E a noite não passa.
O som das teclas pressionadas faz dueto com o silêncio.
Corre lá fora o vento...
Matreiro leva poeira, traz até mim o perfume da moça do prédio ao lado - bonita, alta, bêbada e provocante.
Eu não a vi com meus olhos que a terra há de transformar...
Enquanto isso, quase me atrevi a esquecer um pedaço de meu passado
Meu orgulho deixei de lado por um instante e decidi escrever nesta parte tão distante de mim, mas tão verossímil a meu universo quanto os relatos do náufrago do livro reportagem que Gabo um dia escreveu.
Sou um náufrago que perdeu o norte da nascente no levitar
Quem tem uma canção bonita pra embalar meu sono essa madrugada?

Nenhum comentário: