segunda-feira, 16 de junho de 2008



HOJE. Em letras garrafais um dos jornais mais populares da cidade do céu cinza, que agora guarda meus sonhos e agouros, explicou a baixa temperatura nessa segunda-feira 16 de julho. "Uma massa polar tomou São Paulo".

ONTEM. Cheguei em meu quarto ainda era madrugada. No meu peito a ótima sensação de um show muito bem recebido pelo público alternativo de Americana. E que momento especial em mim quando me dei conta, ao encarar a platéia e encontrar pessoas cantando as músicas que a gente escreveu em um outro quarto, em outra cidade tão distante... Tocamos em um espaço cultural adaptado num casarão colonial que lembrava uma daquelas mansões de filmes de assombração. De um lado sacadas, varandas e janelas enormes que abriam espaço para a luz se aconchegar pelos corredores, salas e tantos quartos... De um lado da casa passa um Rio que fede feito o tietê (de Sampa) o Cocó (de Fortaleza), ou o capibaribe (de Recife)... Do outro uma indústria de papel que funciona 24h de domingo a domingo (pelo que pude perceber) fazia o contraponto com a paisagem que aos poucos vai se tornando urbana. Inevitvelmente recordei de um dos pontos que Milton Santos explora em A Natureza do Espaço, ao tratar a distinção entre paisagem e espaço. Para ele ambos são a sociedade porém entre paisagemn e espaço não há acordo e nunca haverá.

"A paisagem existe através de suas formas, criadas em momentos históricos diferentes, porém coexistindo no momento atual. No espaço, as formas de que se compõe a paisagem preenchem, no momento atual, uma função atual, como resposta às necessidades atuais da sociedade. Tais formas nasceram sob diferentes necessidades, emanaram de sociedades sucessivas, mas só as formas mais recentes correspondem a determinações da sociedade atual."
Santos, Milton. A Natureza do Espaço. Editora USP 2002




VOLTANDO A FALAR DE SAMPA. É esquisita a sensação de não pertencimento a um lugar reverberando por todo o corpo. Me apaixonei pelo caótico modo de desorganizar que impera aqui. Mas sempre bate uma batucada em mim... ela sempre, sempre faz côro com alusões pra longe daqui.

INSTANTE EXATO. A Saudade da amada musa que tanto me inspira a cantar e a trafegar por vias do inexplicável e arrebatador caminho dos amantes acabar de retornar minhas chamadas e ao seu encontro vou me guiar para apaziguar a saudade e sossegar a alma.

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