sábado, 20 de setembro de 2008

O dia cinza esfriou ainda mais minha relação com a cidade. Esta semana foi uma das mais solitárias que já vivi em meio aos ambientes que transito. Segunda, terça e quarta passaram tão rápidas e escapei ao conseguir responder as questões de uma prova em que metade da bíblia de Marx levou alguns neurônios, umas duas noites de sono e muita, muita tinta de caneta azul...

Nadei em todos os dias da semana e hoje por quase duas horas. Ainda não comprei óculos de natação. Meus olhos incharam, avermelharam e não parava de escorrer lágrima. No metrô me confundiram com um ceguinho e no caminho pra casa uma mulher bonita expressou uma certa dó por mim. Deve de ter imaginado que chorava eu por amor.

Acabei de assistir a montagem de Antunes Filho para o clássico texto de Nelson Rodrigues (Senhora dos afogados). Toda aquela teia de vontades subjugadas pelo amor intenso e aparentemente possesso me aflingiu por Moema. Sim, fiquei aflito por Moema- a vilã da peça. Talvez fosse a beleza da atriz (se bem que não posso afirmar com tanta certeza sobre o quão bela seria a Moema de Antunes, pois minha vista ainda estava embaçada e por termos chegado um pouco tarde ao Teatro só conseguimos três poltronas na filheira M - última fila). Mas lembrei de muita gente ao olhar Moema. Lembrei de uma amiga, de algumas ex-namoradas (tive duas que nasceram ali, no meio da escadinha), das aflições de vários conhecidos traumatizados por terem sido filhos do meio. Eu acho que posso me considerar filho do meio. Mas carrego trauma nenhum disso não. Ter sido o segundo me permitiu ser rebelde sob penas "brandas" (se meu irmão Luiz inventasse de ser como fui, teria sucumbido a loucura, a tortura ou a um fim mais trágico que o de Moema - solitária em sua frieza, acompanhada das herdadas mãos da mãe e renegada a falta de coragem para encarar seu próprio reflexo).

Não comento o texto, pois todas as palavras que me vêm em mente soariam como clichêzão e com certeza já foram ditas e escritas sobre a obra de Rodrigues (e eu que um dia quase arrumei uma briga num bar afirmando que os melhores escritos dele foram aqueles sobre futebol na década de 60! Imbecil sou eu.) O elenco, mais preciso e coeso que na montagem de A Pedra do Reino parecia levitar num território tão denso, tão sombrio e sugestivo ao tom mórbido que o tema e texto traziam. O piano e a luz enlaçaram o universo Rodriguiano ao misticismo que só mestres astutos conseguem imprimir ao Teatro. Eu queria viver dentro da cabeça de Antunes só por um dia!

Instante exato.
Escrevo uma canção que afirma que uma roupa não combina com a cor do dia. Fiz também um arranjo pro trompete, mas não sei ainda se conseguirei pegar. Quero melodias de vocais fazendo uma caminha e o trompete passeando em círculos como se estivesse numa charrete a dar voltas numa praça.

E de amor!? como vai!?
A amada musa ocupou-se durante o dia num pronto socorro e a noite chorou ao meu ouvido via celular. Amanhã nossos estudos serão ladeados, mas prometi uma nova receita para o almoço!

Um comentário:

Anônimo disse...

Eu queria poder largar tudo e fugir pra ficar aí com você, meu xuxu.