quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Confesso que vivi

Depois de quase um ano e meio voltei a ler escritos de Neruda.
Talvez tenha sido a influência de um versinho dele que me chegou as mãos quando eu fazia minha mudança de quarto. Joguei um monte de coisas legais no lixo naquele fim de semana. Textos e mais textos, anotações de aulas, idéias para meu mundo, crônicas iniciadas e não finalizadas, músicas esquecidas e abortadas, tudo inútil e desprezível...
Ganharam o mundo. Na verdade ganharam as ruas da Mooca.
As sacolas depositadas na calçada foram rasgadas e a ventania desta primavera paulistana se incumbiram de separar as páginas enfileiradas há meses uma atrás da outra. De longe eu pude ver uma folha se despregar da outra no ar. Uma voou pra esquerda a outra planou em direção contrária... ambas atingiram o chão praticamente ao mesmo tempo.

Mas voltemos a Neruda. Que criatura de viver fascinante esse louco!
Leio agora memórias dele. Aos 23 anos já trabalhava para o governo chileno na embaixada do Ceilão. Prestou serviços ao seu país pela Índia e países daquelas bandas do mundo antes dos 27 e, quando já era poeta de relevância mundial, fez da poesia uma arma tão poderosa quanto a foice, apólvora e faca na guerra civil espanhola. Depois da derrota da república espanhola para a ditadura de Montoro, o poeta foi encarregado pelo próprio presidente Chileno, Dom Pedro Aguirre Cerda de ajudar os espanhóis exilados na França a reiniciarem suas vidas em uma nova Pátria. O Chile abria ali uma portinhola para as vítimas da guerra e ditadura...

Depois termino... ou não... as areias das minhas ampulhetas já se foram quase todas.

Um comentário:

Anônimo disse...

Faz tempo que eu não leio Neruda. Ando muito com Clarice, mais do que o normal.

Um dia desses, fazendo uma arrumação, achei umas cartas que você me escreveu.

Saudades.