quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Vista opaca.

Engraçado como caminhei por um caminho tão comum nestes últimos dias sem que meu olhar estranhasse sequer a arquitetura que nunca é a mesma, a animação das nuvens se aglutinando e cobrindo o céu para anunciar que um bom pedaço dele logo-logo iria cair...
Lembrei do verso de Neruda que questiona a razão do congresso ou encontro anual de guarda-chuvas em Londres...
São Paulo parece Londres, Paris e Nova Iorque. Lembra a Paraíba e o Sergipe, se esconde na faceta de cidade pós-iluminista voltada pro Capital... Milton Santos sabia que essa referência é só mais uma... a cidade de tantos milhões de sobreviventes de sua dinâmica é poliglota, mista, miscigenada, amaldiçoada e amada... divertida, tristonha, travestida em vestes coloridas em que os grandes destaques são o preto, o cinza e o azul marinho dos ternos e paletós...
Individualista, competitiva, elétrica e sonora... ruidosa, um tecido em constante costura...
Eu vou cortar um pedacinho da minha pele verde e costurar bem em cima do tecido que reveste o coração da cidade... só pra mostrar que ali há espaço pra esperança!

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