terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Cartas na chuva

As cartas chegam em envelopes brancos manchados por digitais que ninguém vê

eu abasteço meu estômago e caminho, caminho, caminho sobre o asfalto que não vi crescer.
de frente pras vitrines eu perco tempo na esperança de encontrar uma cor diferente, uma gente que pareça a gente, que fale a nossa língua que se preocupe com algo além do mesmo que sempre está em pauta nos repetitivos noticiários

pra que serve meu estudo? pra que cantar de madrugada se a platéia parece dormir? pra que falar de política se dormimos de dia o tempo todo também

anda na rua. deixa o carro na garagem ao menos um dia. joga bola com a meninada, assista filmes senegaleses pra esquecer o inglês

eu vou roubar um novo celular para ir contra a lei ao menos uma vez

vou ligar pro wally salomão pra dizer que é ele um fulano fudido, mais parece um marciano... imortal

E se a chuva cair sobre Sampa.
Vou molhar a estampa da camiseta que pintei pra vc. Vou esbarrar na multidão só pra dar uma de cara mal, invocado, estressado, engolido pela dinâmica da cidade que sobrevivi

Nenhum comentário: