quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Cozinhando

Hoje choveu aqui em casa. Da janela eu via o povo a apertar o passo, o vento que acompanhou a ventania ia levando uns e empurrando outros passantes da Conde Prates.
Uma moça bonita segurou a barra da saia e me sorriu. Meio sem jeito sorri de volta, mas confesso que de forma matreira fiquei a acompanhar seu andar descompassado. Coitada ia brigando com o vento, a bolsa, uma sacola e os cabelos longos a se espalharem no rosto delicado e atrapalharem a vista.
Eu escutava Billie Holiday e, embora ensaie uns sopros no trompete, sempre deliro com o som da clarineta nas faixas 06 e 13 do disco que copiei de minha irmã caçula. Não sei o nome das canções, talvez por culpa da tecnologia que nos propicia esse confortável uso das obras musicais sem ter o encarte nas mãos pra ir lendo e cantando junto com a diva enquanto a canção vai tocando os tímpanos e invadindo, cabeça, tronco, coração, fígado, estômago e membros.
A chuva cessou e ainda ficou, ao menos nesse pedaço da cidade, uma massa de calor que parece cozinhar a mim no vapor. As previsões do tempo sobre São Paulo erram mais que bandeirinha nervoso em partida de atacante que só fica plantado na banheira... Ontem diziam na rádio que hoje seria dia frio. Embora eu as vezes me esqueça, já aprendi que aqui é bom esperar tudo... Se puder leve todo e qualquer equipamento de prevenção a enxurradas, frio e paralizações das ruas onde desfilam aquele monte de automóveis em que cabem cinco, seis pessoas, mas só vai um carinha ou moça, ou senhora... Eles escutam algo no rádio, cantam sozinhos, riem, falam ao telefone, reclamam uns dos outros... ora, esquecem que estão nas mesmas condições... acham que há um indivíduo certo e outro errado ali.

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