sexta-feira, 13 de março de 2009

Angelim é uma árvore que eu ainda nunca vi.

(...)
Sim, que, à parte o sentido prisco, valia o ileso gume do vocábulo pouco visto e menos ainda ouvido, raramente usado. Porque, diante de um gravatá, selva moldada em jarro jônico, dizer-se apenas drimirim ou amormeuzinho é justo; e, ao descobrir, no meio da mata, um angelim que atira para cima cinquenta metros de tronco e fronde, quem não terá ímpeto de criar um vocativo absurdo e bradá-lo - Ó colossidade! - na direção da altura?

João Guimarães Rosa
Sagarana - São Marcos
Pg - 274.

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