quinta-feira, 30 de abril de 2009

O passado, as idéias e alguns delírios.

Eu pensei que encontraria novamente aquele homem que me abraçava e soluçava sempre que lembrava que tinha um filho e me confundia com o menino que eu fui um dia e que ele carregou pra cama em várias madrugadas de calor na cidade que brotou em algum ponto entre os trópicos e guardava o cheiro de terra e poeira.
Nem sei se esse cara fez isso mesmo. Em verdade vos digo que só me recordo de coisas excessivamente brutas e injustas da figura paterna que por um bom tempo exigiu de mim o silêncio, o respeito e serventia a sua pessoa. Talvez todo menino precise criar seu herói ou encontrá-lo dentro de casa com uma bola debaixo do braço, as chaves do carro ou uma calça jeans que lembre um personagem da sessão da tarde. Eu acho que desde cedo o meu herói foi visto por meus olhos lá fora... bem longe de casa. Um esportista (o Zico ou o Ayrton Senna- talvez os dois), depois um personagem da Tv (Juba ou Lula da armação ilimitada), um menino de um livro que tinha um pé de laranja lima e depois o Zequinha (outro personagem literário que tinha uma porquinha preta).

Ponto parágrafo
Na outra linha... Outra idéia

Pela sei lá qual vez comecei a rascunhar uma trama. Uma quase estória... Por isso talvez eu possa afirmar que sou um quase literato. Desta vez não rascunhei um planejamento da trama. Só comecei a deixar a mão desenhar as letrinhas e preencher o caderno com a idéia que surgiu e ganhou apêndices e parênteses no decorrer da pequena e deliciosa labuta. Não aspiro tornar isto um livro. E não que eu entenda que a idéa seja ruim ou desinteressante, talvez fosse um bom argumento pra um média, quiça um longa?! Se tivesse eu amizade e influência com um bom roteirista, um bom diretor, quem sabe não sugeriria tal idéia... Mas é que me falta austeridade pra não me envolver e perceber o que é bom e ruim ali no texto... E falta também leitura, vivência, disciplina e talento pra ter coragem de levar isso adiante pra tornar este passatempo tão prazeroso em uma aglutinação de palavrinhas, páginas protegidas por capa e contracapa e uns desenhos legais que seriam encomendados à uma amiga e talentosa artista plástica lá do Ceará (Raisa Cristina) sou fã dessa menina.

Ponto parágrafo
Na outra linha... Mais uma outra idéia

Sei porque, mas insisto em continuar a finjir pra mim mesmo que não entendo a razão de ultimamente pensar sempre na morte, neste fim de sofrimento e prazeres de um homem ou de uma mulher. E estou mesmo fascinado e intrigado que nem na minha meninice que eu tinha vontade de morrer logo, só pra saber o que acontece quando a gente não tem mais a serventia dos pobres irmãos caçulas pra mandar recolher as coisas que deixamos espalhadas pelo quintal ou o consolo das vizinhas inocentes que nos põem no colo e fazem cafuné até a gente dormir no colinho cheiroso de lavanda doce que elas sempre passavam em fim de tarde depois do banho das 17 horas.
Mas hoje eu me dei conta que o meu passado está cada vez mais distante por causa do espaço geográfico - devido ao meu exílio e isolamento das terras e pessoas que remontam e recontam minha história. E engraçado, pois pra mim ao descobrir isso foi como perceber que na minha cabeça a relação do passado estava ali sempre intacta e relacionada ao tempo... ao distanciamento do tempo vivido, a memória que se perde ou que esconde as coisas vividas, os sentimentos cada vez mais longínquos por causa do tempo que passava e deixava a cabeça esquecida e o coração feito um refém da bendita memória que falhava com o passar dos anos e o acúmulo de novas experiências...

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