quinta-feira, 2 de julho de 2009

De noite eu não dormi.

De frente para as ruas apertadas eu fiquei olhando aquela gente. Uns comiam, outros trabalhavam limpando o chão. Uma moça me olhou faceiramente. Me mostrou um seio, depois o outro. Disse que pra mim seria quase de graça. Sorri. Mas meu riso não foi malicioso não. Sorri docemente como se fosse eu uma criança. Uma menina passou com um saquinho de cola. Dez passos depois outras três cruzaram meu caminho com as ventas enfiadas num saquinho amarelo. Nem me espantei, nem tive dó. "Não é pra ser coisa normal" disse pra mim. Confesso que havia adrenalina medo e admiração demais em mim pra entender, degustar ou conter certas emoções.
Cruzei o Vale do Anhangabaú e subi uma ruazinha que era uma ladeirinha. Ela nascia ali no Vale e morria na Libero Badaró. Desci a Libero. Dei aquela olhadinha pra conferir se havia alguém no meu rastro. ao longe vi a sede da prefeitura, dois policiais e num lapso da memória imaginei-me entrando a direita, o Viaduto do Chá se estirando preguiçoso e me levando até o municipal... Segui, segui, segui... mais vinte e tantos passos...
"Cadê o Banespão? A Bovespa tá ali, pra cá vou chegar na Sé, ali... ali chego no Patio do Colégio... Hi! Num é que eu tava certo?!"
Olhei o Céu. Cabeça erguida quase 90° pra ver a lua deixando as nuvens roçarem nela... "Linda! que saudade de ver você aí no alto da minha cabeça!" Declarei meu amor pela lua! Será que eu estava bêbado? Lembrei do céu de Fortaleza. Deu saudade e lembrei também que tenho aqui nas minhas coisas uma fita em que filmei em VHS o pôr do sol da janela do quarto da Tia Cícera do apartamento do São João do Tauape! Ao recordar desta fita me veio a lembrança também de parte deste dia... Deixei a câmera na cama, escancarei a janela e cortinas e fiquei proseando com Vovó Luiza. Ela me disse nesse dia que era pra eu voltar logo da viagem à São Paulo. Isso já faz uns três anos. Disse com aquele sotaque e jeitinho gostoso "A vida é assim mermo né fi. A gente faz a vida quando jovi e pede a Deus pra guardar nóise". Eu ri! Eu ri foi muito de tudo isso... E de repente me dei conta de onde estava... do medo que eu tinha... da estranheza que havia ali, as ruas tão apertadinhas e esmagadinhas por aqueles prédios antigos e bonitos que parecem feios porque são mal cuidados, mal pintados, mal vistos e desgraçados... quanto espaço havia ali... mal tinha gente... e que gente tão diferente ocupava um mísero pedaço de calçada pra comer, pra cheirar, fumar, oferecer um sexo quase de gratis ou uma viagem mais distante que a minha amada Lua lá do céu.
Eu cheguei bem tarde em casa. Cheguei solitário e sem carro. Não me arrependi um só instante de ser pedestre. De ver a madrugada do centro de uma perspectiva única... qualquer dia faço novamente.

Um comentário:

Paola Vannucci disse...

Jam

vimn me artualizar do seu blog

beijos