sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O Gato Onofre.

Tulululu pra parah!

O celular toca os primeiros acordes de uma música pop britânica. O volume não tá alto nem baixo, mas o silêncio na casa... o vazio dos espaços da casa, permitem uma acústica perfeita para que o som fique estridente.

Alguém atende.

-Alô!

É uma voz feminina... de moça.

-A gente vai fazer pipoca e depois passear pela praia. Vc não vem? Te mandei scrap. Não viu?

Faz silêncio na casa. Ela respira. Parece mexer nas sacolas que meti minha fuça ontem. Ela é hóspede da minha Majestade. Majestade é minha dona desde que eu escorreguei na escada que leva a rua Pixinguinha. Um cara me chutou e eu caí. Daí me veio aquele anjo com pernas perfumadas, luvas plásticas amarelas e botas vermelhas de jardineira pra curar as feridas e guardar minha dormida...

Rompe o silêncio outra vez:

-Tá. Tá bom! Eu vou trocar de roupa pra esperar ela chegar.
Ai nem te conto de ontem... foi tão bom! Eu queimei o dedo... mas tudo bem! Descobri a medida certa pra receita de berinjela da Dona Lina... mas deixa pra depois. beju.

Ela agora volta ao silêncio e faz carinho nas fotos espalhadas pelo quarto. Não sei se ela é boa amiga pra Majestade, mas pode ser bom uma companhia agora que "macherie" não tem Jorge Penetra pra namorar e brincar de circo. Eu me sinto bem sendo o único com testículos e hormônios que amenizam o humor das fêmeas vagando e divagando pensamentos felinos e inteligentes pela casa. Mas poderia ser melhor... Bem que podia ter lixeira da cozinha aberta todos os dias... assim eu abria mão da tigela de leite quente três vezes por semana. Leite é bom, mas engorda e me dá preguiça. Quando tomo, nem me apercebo e já estou deitado no sofá sonhando que sou um gato pássaro que sobrevoa o jardim projetado por um renomado paisagista. Dia desses eu vi um cão lá no jardim. Cães são estranhos. Não precisam de areia e seus donos é que se rebaixam para fazer a higiene e não deixar rastros...

Mas deixa eu voltar pra minha observação da nova hóspede...

A moça caminha até o banheiro. Abriu a torneira da banheira tirou o jeans, pelo som do elástico a estalar na pele, sacou também a lingerie. O sabonete líquido é o mesmo de majestade. Moveu o daio, ligou o rádio e agora estala os pés na água. Ah humanos! Doces deleites com coisas tão pequenas e estranhas! Água no corpo, música repetitiva e uma tarde inteira mexendo os membros e gastando energia.

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